Como emitir a nota fiscal de devolução sem errar o CFOP
Entenda como emitir a nota fiscal de devolução corretamente e evitar erros no CFOP que impactam seu estoque e impostos.

A nota fiscal de devolução é o documento que anula os efeitos fiscais de uma venda desfeita. Sem ela, a loja paga imposto sobre uma mercadoria que voltou para a prateleira — e o estoque continua dizendo que o item saiu.
Segundo reportagem do Jornal Contábil publicada em setembro de 2026, o erro mais comum não está na emissão em si, mas na escolha do CFOP. O código precisa refletir tanto a natureza da operação quanto o estado da venda original.
Qual CFOP usar
A escolha depende de quem emite e de onde veio a venda:
| Quem emite | Operação dentro do estado | Operação interestadual |
|---|---|---|
| Comprador, na saída da devolução | série 1 | série 2 |
| Fornecedor, na entrada da mercadoria devolvida | série 5 | série 6 |
| Mercadoria de terceiros | 1202 e 5202 | 2202 e 6202 |
Errar a série é o que gera bitributação: o imposto da venda original não é estornado e a devolução entra como operação nova.
O que muda na convivência com o IVA Dual
Durante o período em que o modelo antigo (ICMS e ISS) convive com o novo (IBS e CBS), cada devolução tem de respeitar a regra vigente no momento da venda original, não na data em que a mercadoria voltou.
Nas operações já sob o IVA Dual, a devolução exige o estorno simultâneo do débito do vendedor e do crédito do comprador. Sem essa sincronia, o cruzamento fiscal acusa inconsistência dos dois lados.
O que a nota precisa conter
- A chave de acesso de 44 dígitos da nota original, no campo de documentos referenciados. É ela que liga a devolução à venda;
- Estorno proporcional ao volume devolvido, nas mesmas alíquotas da venda — devolução parcial não estorna o imposto inteiro;
- No Simples Nacional, o ajuste vai na base de cálculo da receita bruta para o DAS. Não há destaque individualizado de imposto na nota.
O que isso muda na sua loja
A devolução não é só um problema fiscal: é um problema de prateleira. Enquanto a nota não entra, o sistema acha que a peça foi vendida — e ninguém consegue revendê-la, porque o saldo diz zero.
Numa loja de autopeças, onde o mesmo item pode ter três códigos de fabricante, a devolução lançada no cadastro errado some do giro e reaparece meses depois como estoque parado. O que evita isso é a nota de devolução recompor o saldo no mesmo cadastro que baixou na venda, automaticamente.
Vale conferir três coisas na sua operação: se a devolução recompõe o estoque sozinha, se o CFOP é sugerido pelo cadastro em vez de digitado à mão, e se a chave da nota original é puxada automaticamente. As três são onde o erro entra.
Perguntas frequentes
Devolução parcial estorna o imposto inteiro?
Qual data manda: a da venda ou a da devolução?
Preciso referenciar a nota original?
E no Simples Nacional?
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